A juíza do Distrito Norte da Califórnia, Rita Lin, emitiu uma decisão abrangente na quinta-feira que revoga a designação da administração Trump da Anthropic como um risco de segurança nacional. A decisão, tomada após uma audiência que se estendeu até a noite, classificou a rotulação como "retaliação ilegal" e a considerou arbitrária e caprichosa.
A opinião de Lin citou violações da Primeira Emenda, afirmando que a ação do secretário de Defesa, Pete Hegseth, para rotular a empresa como uma ameaça foi uma resposta direta à crítica pública da empresa à política do governo. A juíza também encontrou que a Anthropic foi negada as proteções processuais garantidas pela Quinta Emenda, o que significa que a agência não deu à empresa um julgamento justo antes de impor a restrição.
A disputa começou no início do ano, quando o secretário Hegseth, a pedido do presidente Donald Trump, ordenou que todas as agências federais - mesmo aquelas fora do Departamento de Defesa - parassem de contratar a Anthropic. A justificativa da administração se baseou na insistência da empresa em implementar guardrails de segurança rigorosos que limitariam a capacidade do Pentágono de implantar os modelos de IA da empresa em sistemas de armas autônomas ou para vigilância em massa de cidadãos americanos. O Pentágono argumentou que seu uso da tecnologia da Anthropic seria estritamente legal e que as preocupações da empresa eram infundadas.
A juíza Lin destacou uma inconsistência gritante na abordagem do governo. Enquanto a administração rotulou a Anthropic como uma ameaça à segurança, simultaneamente buscou uma proposta de Lei de Produção de Defesa que classificaria a empresa como essencial à segurança nacional. Além disso, o Departamento de Defesa continuou a negociar um contrato com a Anthropic e colaborou no novo modelo da empresa, Mythos, para fins de cibersegurança.
"A invocação vazia da segurança nacional não é um cheque em branco para punir e retaliar contra críticos do governo", escreveu Lin, sublinhando que a rotulação parecia mais punitiva do que protetora. Ela também observou que a Anthropic "indiscutivelmente falta" qualquer acesso às portas de trás de sua tecnologia uma vez transferida para o Departamento de Defesa, refutando alegações de que a empresa poderia controlar ou sabotar o uso militar de seus modelos.
Em um comunicado compartilhado com a TechCrunch, um porta-voz da Anthropic elogiou a decisão, dizendo: "Nós saudamos a decisão do tribunal de que essa designação de risco de cadeia de suprimentos foi ilegal. Nós permanecemos focados em trabalhar produtivamente com o governo para aproveitar a IA para nossa segurança nacional, para que todos os americanos se beneficiem dessa tecnologia". A empresa entrou com duas ações judiciais separadas contra o Departamento de Defesa, uma na Califórnia e outra em Washington, D.C.; o caso de Washington, D.C. permanece pendente.
A decisão marca a primeira vitória judicial da Anthropic em sua batalha com o Pentágono e estabelece um precedente para como as agências podem rotular empresas de tecnologia privadas como riscos à segurança. Especialistas em direito observaram que a decisão pode limitar futuras tentativas do executivo de usar a linguagem de segurança nacional como uma ferramenta para silenciar a dissidência.
A TechCrunch entrou em contato com o Departamento de Defesa para comentar, mas não recebeu uma resposta até a publicação.
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