No International Supercomputing Conference em Hamburgo, os organizadores anunciaram que o LineShine, o novo sistema de ponta no Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen, havia alcançado o primeiro lugar na lista TOP500 com uma pontuação de benchmark de 2,198 exaflops. O número coloca a máquina mais de 20% à frente do líder anterior, o El Capitan do Departamento de Energia dos EUA, e encerra uma longa dominância americana no ranking de supercomputação mais observado.
O que torna o triunfo do LineShine notável não é apenas a velocidade raw, mas a forma como foi construído. Diferentemente da maioria das máquinas de nível superior que confiam em unidades de processamento gráfico da Nvidia ou AMD, o LineShine executa apenas CPUs personalizadas baseadas na arquitetura Armv9. Os processadores, conhecidos como LX2, foram desenvolvidos na China e são combinados com uma rede caseira chamada LingQi e o sistema operacional KylinOS, uma fork chinesa do Linux. O design elimina qualquer dependência de chips americanos, uma resposta direta às restrições de exportação que limitaram as vendas de semicondutores americanos para empresas chinesas por anos.
A arquitetura all-CPU embala quase 14 milhões de núcleos em 90 gabinetes e consome aproximadamente 42 megawatts de potência, entregando cerca de 52 gigaflops por watt — uma notável eficiência para um sistema de seu tamanho. Já o LineShine executou uma simulação completa do sistema terrestre e um modelo detalhado do cérebro humano, demonstrando sua capacidade para os trabalhos científicos pesados que foi projetado para lidar.
Jack Dongarra, um cientista sênior do projeto TOP500, visitou a instalação e elogiou o desempenho da máquina. "Eles nos superaram desenvolvendo um sistema que não depende de GPUs", disse ele, destacando a mudança estratégica para longe dos designs centrados em gráficos que dominam o campo.
A China havia parado de enviar inscrições para o TOP500 em 2023 após os EUA terem apertado as regras de exportação de chips. Ao inscrever o LineShine, a equipe chinesa enviou um sinal claro: a nação pode alcançar desempenho de classe mundial sem tecnologia estrangeira. Analistas observam que a movida também expõe uma lacuna regulatória — enquanto as GPUs são rigidamente controladas, as CPUs enfrentam restrições muito mais frouxas, permitindo que a China avance sua própria pilha de computação de alto desempenho.
A despeito de sua pontuação recorde no benchmark padrão, o LineShine fica atrás em testes focados em IA. Em um benchmark de precisão mista que reflete as cargas de trabalho de inteligência artificial, o sistema ficou em quarto lugar com 7,92 exaflops, muito atrás dos rivais que dependem de GPUs. O design all-CPU carece da circuitaria de baixa precisão que dá às GPUs uma vantagem de velocidade no treinamento de modelos de IA. Consequentemente, enquanto o LineShine detém o título de computador mais rápido do mundo para cálculos científicos de dupla precisão, ele ainda não lidera a corrida de IA.
O feito destaca uma tendência mais ampla: as restrições de exportação dos EUA destinadas a retardar o progresso tecnológico da China têm estimulado o desenvolvimento de uma pilha doméstica paralela de chips, sistemas operacionais e interconexões. Empresas de vários setores — desde fabricantes de automóveis até provedores de nuvem — agora projetam silício personalizado para reduzir a dependência de GPUs estrangeiras. Até mesmo a Nvidia está explorando CPUs baseadas em Arm para permanecer competitiva.
Especialistas advertiram que a coroa não significa um fechamento completo da lacuna com os EUA. A indústria de GPUs doméstica da China ainda fica atrás da Nvidia e da AMD, e os clusters de IA mais poderosos executados por hyperscalers americanos permanecem fora do foco acadêmico do TOP500. No entanto, o sucesso do LineShine demonstra que uma política destinada a restringir o acesso da China a chips avançados pode estar estimulando o país a construir seu próprio ecossistema de computação de alto desempenho.
Este artigo foi escrito com a assistência de IA.
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