Linus Torvalds criticou duramente uma regra proposta que exige que os contribuidores do kernel do Linux declarem o uso de ferramentas de IA, chamando tais regras de “absolutamente estúpidas” em uma mensagem enviada à lista de discussão do kernel em 13 de outubro. O The Register foi o primeiro a noticiar a troca de mensagens.

A regra em questão é a tag Assisted-by. Desde janeiro, a documentação do kernel pede que quem usar “qualquer tipo de ferramenta de programação avançada” adicione a tag à sua mensagem de commit. Agora, os mantenedores querem eliminá-la.

Sasha Levin, desenvolvedor do kernel e engenheiro da Nvidia, propôs a mudança em um patch enviado à lista de discussão em 9 de outubro. O patch já recebeu mais de 50 respostas. “A Cúpula de Mantenedores chegou a um consenso para descontinuar a tag Assisted-by”, escreveu Levin. “Remova a documentação que a exige.”

Jeff Layton, desenvolvedor do kernel na Red Hat, já havia defendido o fim da tag. Ele afirmou que nem todos seguem a política. Também disse que a tag “basicamente serve como publicidade gratuita para empresas proprietárias de LLM” e que não está claro por que o kernel coleta essa informação.

Resistência em relação à aplicação da regra

Laurent Pinchart, desenvolvedor do kernel e fundador da Ideas on Board, se opôs em 13 de outubro. Ele disse não se sentir confortável em remover a tag sem outro mecanismo de divulgação obrigatória. Sem um mecanismo assim, escreveu, ele esperava que os remetentes de contribuições reagissem quando questionados sobre o uso de ferramentas.

Pinchart reconheceu que algumas pessoas vão trapacear. Ainda assim, afirmou que a regra estabelece expectativas e que o kernel sempre teve regras que alguns contribuidores descumprem. “Sempre tivemos essas regras, continuaremos a tê-las e continuaremos rejeitando as contribuições de quem as descumpre”, escreveu. “Não entendo de verdade o argumento de que elas são impossíveis de fazer cumprir.”

Torvalds respondeu que a posição de Pinchart tinha “tudo a ver com suas manias”. Em seguida, propôs uma regra própria. “Aqui vai uma regra nova só para você: não use compiladores em nenhuma de suas contribuições para o kernel”, escreveu. Ele acrescentou que os contribuidores precisariam escrever em assembly para provar que entendem a máquina e que deveriam evitar editores para mensagens de commit, porque a tecla backspace esconde erros de digitação. O ponto, segundo ele, é que as pessoas devem fazer o seu melhor e entender o próprio trabalho, e que essa compreensão tem pouco a ver com as ferramentas que utilizam.

Torvalds sobre o próprio uso de IA

A resposta veio dias depois de Torvalds participar do Open Source Summit Europe, em Praga. Em 9 de outubro, ele subiu ao palco ao lado de seu amigo Dirk Hohndel, chefe da Ericsson Software Technology. A ZDNet estava presente.

Torvalds disse que costumava achar que a IA era “simplesmente não muito boa”. Isso mudou. “Agora chegei ao ponto em que realmente gosto de usar IA”, afirmou. Ele a usa para “as coisas em que sou ruim”. Em um projeto de pedal de guitarra, queria uma interface moderna em uma pequena tela que havia programado em C. “Eu não faço Java. Eu faço kernels”, disse.

Ele classificou a vibe coding como “uma maneira maravilhosa de encontrar alegria na programação” e descreveu a IA como uma “porta de entrada” para novos programadores. Também fez um alerta contra depender dela em trabalhos sérios. “Acho que é preciso ter muito cuidado ao usar IA quando você está fazendo algo real e importante”, disse.

Sobre o próprio kernel, Torvalds afirmou que ferramentas de IA agora encontram falhas reais de segurança e defeitos em drivers “que ninguém tocou em 20 anos”, segundo a TechRadar. No geral, disse, a IA “está melhorando nossa base de código”. Mas as ferramentas têm um custo. “Ela também está estressando os mantenedores a ponto de se tornar um problema”, afirmou.

Na Cúpula de Mantenedores do dia anterior, cerca de três quartos das palestras se concentraram em tornar as ferramentas de IA menos estressantes para os mantenedores, disse Torvalds. Hohndel perguntou a ele sobre o Sashiko, um sistema de revisão com agentes de IA cujas revisões agora aparecem na lista de discussão. Alguns mantenedores de subsistemas esperam que os patches tenham passado por essa revisão, informou a ZDNet. “As pessoas brincam dizendo que há bots conversando com bots, e isso de fato acontece”, disse Torvalds.

Nem todos os projetos de código aberto estão adotando a mesma abordagem. A System76 proibiu conteúdo gerado por IA em seu ambiente de desktop COSMIC. O NetBSD proibiu código gerado por IA desde 2024. O The Register informou que o NetBSD recebeu desde então US$ 120.282 em doações, contra uma meta de US$ 50.000.

Este artigo foi escrito com a assistência de IA.
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